
Sinto o mundo aos meus pés...
Sinto a leveza da paz,
Bem-querer que tanto me satisfaz.
Porquê?
Finalmente começo a compreender-me:
Se a vida é minha e se vou ter de viver comigo até sempre, preciso de aprender, de saber viver da melhor forma que conseguir, da forma mais confiante e genuína possível.
Compreendi que, não preciso de” acessórios” etéreos, ilusões inúteis, emoções forçadas ou procuras infrutíferas para dar cor à minha vida…eu sou colorida, a minha luz está em mim, vem de dentro, não adianta procurá-la no exterior aparente.
Para melhorar a minha vida, só preciso de mim, de saber manobrar-me, contornar os obstáculos que eu própria crio, agora conscientemente.
Quando nos assumimos, perdemos o medo dos defeitos, deixamos de falsear facetas, fúrias ou mesmo de esconder carências e medos. Deixamos de idealizar, de conjecturar imagens no espelho mágico. Não nos preocupamos em aparentar, falsear emoções, forçar sorrisos…
Estou triste, choro e grito, procuro um ombro amigo, recorro, não armo a fortaleza da estabilidade e constância ilusórias.
Estou feliz, canto bem alto, chateio, sorrio pelo ínfimo, contagio a alegria que para muitos se transforma em desassossego.
Estou carente, procuro carinho, não escondo a necessidade de afecto. Procuro os meus queridos Pais, que com o seu verdadeiro amor, me mimam, sempre de braços abertos para um colinho, para um abraço apertado, ou até mesmo, para me darem aqueles beijinhos docinhos que tanto preciso. A criança que sou reflecte-se quando estou carente, pura bebé que se enrosca no meio dos lençóis do papá e da mamã.
Estou irritada, assumo, não escondo. Calo a ira ao desconhecido, mas resmungo com Deus, resmungo com os que mais me amam e compreendem que é uma tempestade passageira. E se me irrito com razão e objecto, torno-o alvo da minha ira, grito, esperneio, ralho, choro, ladro, mas liberto e logo passa, não guardo no coração revoltas que se podem transformar em frustração ou mágoa.
Estou esgotada e desanimada, peço que nem cheguem perto, que se afastem, não quero depositar em outros o tédio que me assombra. Recolho-me, estou melhor só, sei que descansando, o cérebro racionaliza melhor os problemas.
Enfim…sei e compreendo o que sou, como sou…reconheço-me, prevejo-me, protejo-me, ajudo-me, entendo-me…sei o meu pior e o meu melhor, sei o que quero e até mesmo quando não sei o que quero, tenho uma grande certeza, a certeza do que, realmente, eu não quero, um ponto de partida muito vantajoso.